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Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

 

                            


 

IMAGEM E IDENTIDADE

Fazer uma confissão de responsabilidade ao olhar para você mesma pode até ser complicado. Mas nada, nada no mundo substitui o prazer que eventualmente você vai encontrar ao perceber que é possível estar alinhado com aquilo que você é. Dia desses, lendo uma entrevista da cantora canadense K.d. Lang, me identifiquei quando ela disse: "Estou, enfim, de acordo comigo mesma."

PERGUNTE-SE SEMPRE: QUEM SOU EU, AFINAL?

Tão fundamental quanto cuidar de você é levar a sério aquela máxima que, segundo inscrição no templo de Apolo, em Delfos, na Grécia, persegue o homem – e vice-versa – desde a antiguidade: conhece-te a ti mesmo. Não há como escapar. Para viver melhor, precisamos nos conhecer mais. É a base primordial da nossa existência e da nossa imagem. É bom também rever de tempos em tempos todos os nossos conceitos, já que mudamos muito ao longo da vida. É lógico que você não muda de um dia para o outro, mas há períodos, fases, em que vai mudando. É como uma planta, que organicamente se reorganiza o tempo todo. Também somos assim. Um dia tem de dar uma mexidinha aqui, no outro está mais pálida por algum motivo, o cabelo resolveu acordar diferente sabe Deus por quê e você vive uma paranóizinha vespertina. Isso é ser humano – reorganizar-se o tempo todo, acostumar-se com a impermanência de tudo.

SEJA VOCÊ A SUA MELHOR AMIGA

É essencial entender também que no meio da dinâmica da aparência, das diferentes fases que atravessamos, passamos a vida inteira descobrindo mais informações a nosso respeito. O autoconhecimento é processo aberto, que não termina nunca. Esse, aliás, pode ser o grande barato da história. Para me convencer disso, de que é preciso saber mais sobre quem sou eu, estar sempre perto de mim mesma – e só depois praticar o que for preciso para conseguir o que quero, costumo pensar em situações bem reais, às vezes ligadas ao nosso instinto de sobrevivência. Como naquelas instruções de segurança dos aviões, que indicam colocar antes a máscara de oxigênio em você e depois, só depois, nas crianças ou quem estiver precisando, eu acredito que na vida nossa principal obrigação é cuidar de nós mesmos, sermos nossos melhores amigos.

PARA CUIDAR DO OUTRO, É PRECISO ESTAR BEM

Cuidar de você não tem nada a ver com narcisismo, egoísmo ou egocentrismo, tudo bem démodé, na minha opinião. Refiro-me a uma iniciativa que tem sentido positivo, de saber inclusive que se você não der conta de fazer por você mesmo, que dirá pelo outro. Levo essa operação a extremos, com todas as referências possíveis. Começando pelo mens sana in corpore sano, como já proclamavam as culturas helênica e romana, tendo entre os hábitos da elite e do povo os banhos termais, os exercícios, as massagens. No Ocidente, a cultura judaico-cristã acabou com tudo isso, considerando-os costumes de luxúria, deixando todos sujinhos de mente e corpo e sujeitos às grandes pestes.

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Mente tranqüila facilita idéias claras, ainda mais num tempo em que preocupação e estresse viraram um problemão, grandes pestes da nossa época. No processo de simplificação no qual venho investindo, aprendi que preocupação nada mais é do que um vício. Quem não combatê-lo, morre cedo. É inevitável. Preocupações bloqueiam a energia e desarmonizam o metabolismo.

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FAÇA DA SOLIDÃO UMA ÓTIMA COMPANHIA

Temos de lembrar também que, desde o começo, mesmo que os hormônios e a juventude atrapalhem um pouco essa compreensão, o homem nasce só e morre só. Sempre busquei compreender melhor a condição da solidão humana. Às vezes passamos muito tempo longe de nós mesmos, sem admitirmos que somos pessoas solitárias. Gastamos muita energia depositando nossas possibilidades em outras pessoas. Lógico que todos os parâmetros estão nos relacionamentos. Precisamos amar, ser amados, viver conflitos. Tudo é fundamental para crescer. Se não continuaríamos crianças a vida inteira. Mas é fundamental não nos distanciarmos de nós mesmos. Da série "citações para guardar" – ou apenas pensar –, uma do escritor inglês Aldous Huxley: "Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros, mas sempre e sob quaisquer circunstâncias existimos a sós". Surge então a inevitável questão: quem, afinal, é você? Sempre me faço essa pergunta, até hoje. É fundamental que você conheça mais sua personalidade e o máximo possível de sua história, não importa em que momento da vida. Aproveite esse exercício, de autoconhecimento profundo, para entender e reconhecer também a sua imagem, um ótimo aprendizado – de caráter superutilitário, diga-se – numa sociedade que preza aparências.

DESCUBRA E GOSTE MAIS DA SUA IMAGEM

Uma forma divertida e eficiente de entender a sua imagem é observar suas fotos que, nessa era digital, podem e devem se tiradas com esse fim: só para você se familiarizar com o seu corpo, suas características físicas, seus gestos. Com câmera na mão _ou a do telefone mesmo_, peça aos amigos para fotograr você parada, em movimento, caminhando, de frente, de costas, de perfil, de todos os lados, enfim. Depois preste atenção nos detalhes. Também dá para fazer isso na frente do espelho, usando outro espelhinho, de mão, para ver tudo, mas a tendência é enxergar do jeito que você quer. A foto é mais realista. De uma forma ou de outra, olhe para você mesma – para seu rosto, seu corpo, sua pele, seu cabelo – como se fosse outra pessoa. Imparcial e desapaixonadamente, faça uma análise crítica e criteriosa, tipo quadro a quadro, dos pés à cabeça – literalmente. Aprenda a olhar tudo isso em 360 graus. Nosso corpo é tridimensional e temos o hábito equivocado de só nos olharmos de frente, às vezes bem rapidinho para não pensar sobre isso. Folgo em dizer que eis aí um erro primário e perigosíssimo. Nossa imagem é vista de vários ângulos. Seja qual for o ângulo, seja de quem for aquele corpo, você provavelmente levará alguns sustos. Inevitáveis, lamento. Mantenha a calma. Tudo vai ficar bem. Sempre nos acostumamos com as adversidades – reais ou não – da vida e com a sua imagem não será diferente. Passados os arrepios e a constatação de que os cabelos não são os dos seus sonhos, nem as pernas de uma triatleta, sua única alternativa é ser mais flexível. Afinal, é o que temos para o momento e um pouquinho de benevolência também vai ajudar você a começar a descobrir coisas muito legais. Desesperar jamais. Tudo tem jeito. A questão central, o ponto-chave é você se olhar de verdade, sem se rejeitar, sabendo que você e essa sua imagem merecem respeito. Não adianta querer ser outra pessoa. Auto-estima você aprende: é a consciência do seu próprio valor, gostando cada vez mais de você mesmo.

PRATIQUE A TERAPIA DO ARMÁRIO

Uma maneira estimulante, prática e renovadora de evoluir no autoconhecimento e simultaneamente exercitar o desapego é sempre fazer feng shui na vida. Do mesmo jeito que se arrumam as casas com simbolismos para deixar a energia circular, na vida você precisa dar umas mexidas, umas arrumadelas de vez em quando para tudo continuar indo bem. Comece pela "terapia do armário". Quanto mais se dedicar a arrumá-lo mais você vai conhecer a si mesmo. Escolha seu som predileto, no volume que você quiser, e se desfaça de tudo o que não quer mais. Ficar guardando roupas que você não usa – e sabe que não vai usar –, só pela posse, para ocupar espaço ou por lembrança afetiva, é completamente desnecessário. Organize o seu armário como se estivesse organizando sua vida – para deixá-la fluir. Você se sentirá mais leve imediatamente.

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MISTÉRIOS DO TEMPO

Um dos grandes segredos do bem viver é estarmos integralmente disponíveis para o momento presente, por mais que isso pareça clichê ou título de best-seller. Facilita muito a vida, já que o futuro normalmente é fonte de ansiedade e expectativa e o passado às vezes gera nostalgia excessiva. Há, aliás, uma maneira bastante digna de olhar para trás: se a intenção for entender e reconhecer sua trajetória e se fortalecer revendo todas as dificuldades que você já foi capaz de superar para chegar onde chegou.

ACEITE O QUE É NOVO E VIVA MELHOR

Procure não engessar-se a si mesmo com suas observações e seus conceitos sobre a vida. Sempre digo isso porque é aprendizado importantíssimo, que a moda me ensinou. Ela me obriga, por sua natureza, a não ter preconceitos. Não é o preconceito como sentimento desfavorável apenas. É pré de anterior, de ter uma idéia pronta antes do entendimento do que é novo. Não funciona. Na vida especialmente. Se você não faz uma leitura renovada, certa, com frescor, de tudo e de todos, passa a deixar de existir no seu tempo.

DISPONIBILIDADE PARA MUDAR

Mudanças e novidades são consequências de um processo natural ao qual devemos nos adaptar. Para inovar, o homem sempre tenta avançar, ultrapassar barreiras e fronteiras. Por isso não dá para ter preconceito em relação a nada e a ninguém, muito menos ao que é novo. Quando você entende isso, libera-se de maneira mais generosa para a vida e na observação do outro. Fica mais solto no mundo. Eu, para ser bem sincera, ando até um pouco soltinha demais ultimamente porque, além de tudo, falo o que penso o tempo todo, sem precisar destruir ou ser agressiva com os meus interlocutores. O fato de poder expor tranqüilamente aquilo que você tem a dizer, verbalizar as coisas nas quais acredita, dá a sensação de deixar tudo limpo, às claras. Fazer isso no tom certo, respeitando o espaço e a diferença das pessoas, sem preconceitos, é bastante agradável.

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Temos a obrigação, sim, de procurar viver da melhor maneira possível a idade que temos. Pode ser melancólico em alguns momentos, mas jamais deve ser trágico.

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FAÇA DO TEMPO UM ALIADO, JAMAIS UM INIMIGO

A época contemporânea acelerou nossa percepção do tempo. É tudo muito mais rápido. Por isso precisamos rever nossa realidade ao longo da vida em períodos cada vez mais próximos. Fazer um balanço do que somos nos diferentes momentos porque no decorrer da vida jamais seremos os mesmos. Óbvio que o DNA permanece, mas você muda de acordo com a época e conforme o que já viveu. Você não é uma coisa estática e o grande lance é entender isso para que a vida continue interessante. Antigamente, costumava pensar nesse tipo de auto-avaliação, de reconhecimento e análise periódicos, de revisão geral da vida, num sentido amplo, a cada dez ou quinze anos. Mais recentemente, percebo que a cada cinco ou seis anos temos de nos rever profundamente como pessoas.

EXERCÍCIO DE CURIOSIDADE

Uma curiosidade maior é necessária para tentar compreender a vida atual. Caso contrário, não entenderemos a nossa época e, de repente, estaremos ultrapassados. Deus me livre. Seria tão legal que as pessoas soubessem como é importante não desistir de nada. Ou pelo menos nunca desistir do que for realmente importante. Vejo muitas pessoas que têm mais ou menos a mesma idade que eu – ou bem mais jovens – desistindo em vez de se mexer, de se ligar nas questões importantes do presente. Essa é uma decisão vital.

  Trecho de Confidencial, de Costanza Pascolato

 
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